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quarta-feira, 17 de março de 2010

Decepção do ano: O clube do filme

Foi mais ou menos em setembro do ano passado que me deparei com o livro O clube do filme na prateleira de uma livraria Saraiva. De cara, eu gostei da capa. De cara, eu gostei do título. De cara, eu gostei do que estava escrito na contracapa.
Então, apostei.
Em janeiro comprei em uma promoção no site da Saraiva. Recebi enquanto ainda lia As Meninas, de Lygia Fagundes Telles, então o coloquei em modo de espera na estante.
Em fevereiro eu peguei para ler e odiei. Achei a história rasa demais, achei sem graça demais, chato demais.
Não faz nem um aprofundamento dos filmes, nem conta uma história impressionante, nem nada. Talvez se fosse ficção a estória seria melhor. Baseado em fatos reais, o livro chega a ser chatinho demais. Quase desisti, mas cheguei ao final. E agora penso em colocá-lo para troca ou a venda em um sebo. Ainda não decidi ao certo só sei que com ele eu não quero ficar.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Os livros de 2010

As pessoas geralmente fazem listas do que querem fazer ou conquistar durante o ano. Eu não. Faço listas (que como outras, nem sempre cumpro) do que quero ler.

A de 2010 já tem:
Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll
O clube do filme, David Gilmour e Luciano Trigo
A era dos direitos, Norberto Bobbio
Cordilheira, Daniel Galera
Estive em Lisboa e lembrei de você, Luiz Ruffato
Corações sujos, Fernando Morais
Trilogia suja em Havana, Pedro Juan Gutiérrez
O dia Mastroiani, João Paulo Cuenca

Jorge Amado (que vem da lista do ano passado)
Amós Oz
Mia Couto
Philip Roth

Não necessariamente nesta ordem. Não necessariamente todos. Não necessariamente nada. Só uma lista despretensiosa do que posso e quero ler. Alguns destes livros e/ou autores já tenho. Basta encarar a leitura.
E você, o que quer/vai ler em 2010?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Os livros de 2009

Eu queria ter escrito este post antes do ano passado terminar, mas não deu. Mesmo tendo entrado em férias coletivas dia 18 de dezembro, eu acabei me enrolando e não deu.
Eu queria ter escrito este post logo que eu voltei de viagem, mas peguei uma virose e eu acabei tendo umas tarefinhas chatas para fazer e não deu.
Mas, então, escrevo agora.

Para começar, tenho que dizer que 2009 foi um ano MUITO especial pra mim. Então, definitivamente ele se divide antes e depois de março - quando casei. Relendo agora a lista de livros lidos, realmente parece que os livros que li antes de março fazem uma eternidade. Parece que foram lidos em outra época. Muita estranha esta sensação.
O fato é que li, durante o ano de 2009, 33 livros. O mês mais literário foi junho, com 8. Mas em julho e agosto - nem sei bem porquê - não houve leituras.
No meio do ano travei uma batalha com as coisas lidas: nada me agradava e eu estava em busca do livro perfeito. Até que, no final de junho, eu comprei e li Antes de nascer o mundo, do Mia Couto. Pronto! Achei o livro do ano e quem sabe, até talvez, o livro da vida.

Eis a lista de 2009:
Janeiro
Carmem, Uma biografia, Ruy Castro
Melancia, Marian Keyes
Romântico, sedutor e anarquista: Como e por que ler Jorge Amado hoje, Ana Maria Machado
Um baiano romântico e sensual, vários
Marca D´Água, Joseph Brodsky
Os da minha rua, Ondjaki
E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto, Rubem Fonseca
Fevereiro
A grande arte, Rubem Fonseca
O fotógrafo - volume 1, Guibert Lefévre, Lemercier
O fotógrafo - volume 2, Guibert Lefévre, Lemercier
O Escafandro e a Borboleta, Jean-Dominique Bauby
Março
Políticas Públicas Sociais e os Desafios para o jornalismo, vários
Abril
Fazendo meu filme 1, Paula Pimenta
Maio
Leite Derramado, Chico Buarque
A cidade ilhada, Milton Hatoum
A história do pranto, Alan Pauls
O verão de Chibo, Vanessa Bárbara e Emílio Fraia
Junho
Um copo de cólera, Raduan Nassar
Para sempre - amor e tempo, Ana Maria Machado
Limeriques do bípede apaixonado, Tatiana Belinky
Perto do coração selvagem, Clarice Lispector
Joana a contragosto, Marcelo Mirisola
De repente, nas profundezas do bosque, Amos Oz
Às margens do Sena, Reali Jr.
Antes de nascer o mundo, Mia Couto
Setembro
Cartas portuguesas, Mariana Alcoforado
Dente de Leão, Cecília Borges
A fera na selva, Henry James
Outubro
Cuca Fundida, Woody Allen
O Rei da Noite, João Ubaldo Ribeiro
Novembro
O amor nos tempos do cólera, Gabriel Garcia Marquez
Um bom par de sapatos e um caderno de anotações, Anton Tchékov
Dezembro
No teu deserto, Miguel Souza Tavares

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Estrangeira

No meu último aniversário ganhei de presente um guia de leitura: 100 autores que você precisa ler. Fazia algum tempo que eu vinha querendo uma lista pra me ajudar nessa falta de critério que é a minha escolha por livros. Claro que eu não preciso - e nem quero - seguir a risca: tem sempre aquela surpresa boa que não está lá, aquela oportunidade que aparece e você se joga, aquele fresquinho que acabou de sair do prelo. Mas, sim, queria essa ajudinha e recebi.


O primeiro da lista é Camus: "Ingresse no mundo de Camus, mesmo sabendo que pode voltar com a alma a arder". Eu ingressei, ainda que não por causa da ordem alfabética. Achei lá na biblioteca, meio sem querer, e o trouxe junto com o Noll e o Le Clézio.


"Seus romances registram uma visão desesperançada da condição humana", me conta o livrinho. E eu devorei as 126 páginas de O Estrangeiro em pouquíssimo tempo.


O livro, escrito em 1957 pela pena do existencialismo, conta a história de Mersault, homem de vida banal, ordinária, que recebe com indiferença os acontecimentos da sua vida. Ao cometer um crime - matar, sem motivo, um árabe - é julgado e condenado à morte. Assim, num ímpeto, as coisas vão acontecendo, as páginas vão minguando e o nosso personagem pouco se dá. Num último suspiro é que se percebe algum tipo de centelha. Que também não ateia.


Terminei de ler e corri para a contra-capa do Le Clézio, achando que tinha lido ali uma definição perfeita: "Terminada a leitura, estamos esvaziados, como se tivessem nos submetido a uma misteriosa provação física". Era exatamente assim que eu me sentia: esvaziada das esperanças, arrastada por um corrente de desinteresse. A contra-capa de A Quarentena me diz que isso é "privilégio das grandes obras, que nos dão a verdadeira medida de uma experiência literária". Talvez seja isso. A verdade é que ingressar nesse volume tão fininho de Camus fez minha alma arder.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Sobre amor, livros e amigos

Há muito tempo atrás, um amigo me deu um livro. Na verdade, ele é jornalista da área cultural e sempre ganhava muitos livros. Eu, pidona, sempre pedia um - que podia ser qualquer um. Até que - um dia - ele cedeu aos meus apelos. O livro é super fofo, chama-se O dragão de Wawel, de Anna Klacewicz e Leticia Wierzchowski, e é de lendas polonesas, cheio de ilustrações lindíssimas. Então, quando ganhei, amei. E no dia seguinte, de tarde, chegou um e-mail dele que se chamava Você e que além de fofo acabou traduzindo o meu amor por livros:


"Olha, é sobre o livro que te dei ontem. Eu fiquei um bom tempo imaginando o que dar, algo que combinasse contigo. Achei uma boa escolha, e pelo visto você também.
Mas aconteceu algo que eu não esperava, nem pensava nisso. Depois que te entreguei, você o segurou... e começou a acariciá-lo! É, carinho mesmo! Você acariciava a capa como já vi gente fazendo com outra pessoa, com bicho, ou mesmo um brinquedo de pelúcia. Você passava a mão, os dedos pela capa, admirava, olhava cada detalhe... só faltou abraçar e beijar. Ficou o maior tempão nessa. E eu lá, só olhando. Tamanho carinho por uma obra impressa só pode vir de alguém que sabe o que ela significa. Você também produz textos e os publica, sabe muito bem o que é batalhar nisso. Ali eu vi carinho, mas sobretudo respeito. E carinho + respeito dá em amor. Você ama os livros, seu trabalho, o que as publicações significam.
Lembrei-me disso porque me impressionou.
Obrigado por isso, lindinha."

segunda-feira, 2 de novembro de 2009