terça-feira, 8 de dezembro de 2009

[Entre colchetes]

"E cada reveillon me deixava ansioso que passassem logo os dias até meu aniversário, que é no mesmo mês. Era um ano começando, era eu ficando mais homem, eram perspectivas se abrindo - era, enfim, uma boa sensação ver um ano esvoaçando para nunca mais voltar e outro se abrindo em promessas, esperanças ou certezas, pois naquele tempo havia certezas, hoje finadas."

O Rei da Noite, João Ubaldo Ribeiro

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Foto de Segunda


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Livro do mês: O amor nos tempos do cólera


Romance é, em suma, a construção de uma narrativa. Poucas vezes essa construção literária é notada. Entra-se na história e, na maioria das vezes, nem nos damos conta em que pessoa a estória estava sendo contada.

Não foi o que aconteceu, pra mim, com O Amor nos Tempos do Cólera. Logo de cara percebi a divisão temporal do romance e fiz dele um trunfo e, ao mesmo tempo, um obstáculo. Trunfo porque era cheia de suspense que contava o enredo a quem me perguntava o que estava lendo e qual era a estória fazendo com que as pessoas também sentissem vontade de ler. E obstáculo por ser algo que devia ser transposto para saber qual seria o final.

A estória começa no presente, mas logo é remetida para o passado, onde se detém por um grande período – na verdade, a maior parte do livro – até voltar ao presente como se, na verdade, estivesse novamente voltando ao passado – porque afinal o presente contado da estória já tinha ficado no passado do leitor, quando começou o livro.

E enquanto a maior parte do livro você quer correr, ler, devorar e avançar para saber o final quando se volta ao presente e, então, ao desenrolar final da estória a vontade é de mangar, saber, mas não tudo só para não se chegar ao final.

E que final gostoso. Minha vontade é ler e reler este final milhares de vezes. Do Gabriel Garcia Márquez tinha lido apenas 100 anos de solidão, já há alguns bons anos. Por isso, ler O amor nos tempos do cólera foi uma delícia.

Embora não seja um autor que me empurre para suas obras porque acabei de ler um livro, mas não fui impelida a ler outro livro dele imediatamente me senti grata pela leitura. Se for para classificar o livro é assim que será: um livro gratificante. É ter lido e talvez até sinta falta de Fermina Faza ou de Florentino Ariza vez por outra. Agora, talvez eu parta pro filme. Embora seja preconceituosa com adaptações, acho que irei me jogar nesta.

Avaliação: Muito bom

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

[Entre colchetes]

"Pode chamar de amor eterno. Tem muita gente que chama. (...) Claro que depende do que se entende por eterno. E por amor. Mas de qualquer modo, com ou sem eternidade, o fato é que esse amor pode não ser considerado tão eterno assim, porque, afinal de contas, começa. Quer dizer, não tem vida eterna - porque antes houve um momento em que não existia. E nem sempre nesse início dá para saber que é amor - quanto mais se é para sempre e outras categorias ligadas a essa idéia. Ele pode começar de repente."

Para sempre amor e tempo, Ana Maria Machado


sábado, 28 de novembro de 2009

Sublinhado

Havia muito tempo, porém, eu acreditava ter me recuperado, e quando comprava pão numa padaria não pensava sistematicamente nela e muitas outras razões também me faziam crer que eu havia superado, e dado a volta por cima, como se diz, e mesmo voltado à tona como todos quase sempre conseguem, ainda que ao preço de uma irremediável modificação do seu ser e de uma desastrosa transformação de si perceptível no canto da boca, nos ombros, ou nos cabelos, com mais força no fundo dos olhos, no andar e no jeito de rir e falar e se comportar em geral e basta olhar ao redor para perceber.

O convidado surpresa, Grégoire Bouillier

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O livro do mês ou Como funciona

A gente definiu algumas coisas. A última quinta-feira do mês, por exemplo, é dia do livro do mês. A última quinta-feira do mês é hoje. O livro do mês é O amor nos tempos do cólera.
Só que euzinha me enrolei e não terminei de ler o livro, que está em uma parte ótima e quase no final. Faltam apenas 80 páginas, mas, como não conseguirei terminar de ler a tempo de postar algo, adiamos.
Mas, prometo, que semana que vem tem nossos pitacos sobre o livro. E vocês, sintam-se à vontade de comentar também. Só não vale, por enquanto, contar o final.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

[Entre colchetes]

"-Nuntzi, me diga: como é um avô? (...) - Um avô? - inquiriu Ntunzi. - Sim, me diga como é. - Um avô ou uma avó? Tanto fazia. Na verdade, não era a primeira vez que lhe dirigia a mesma interrogação. E meu irmão nunca respondia. Ficava contando pelos dedos como se a ideia fosse desses progenitores nascesse de delicados cálculos. ele contava, sim, por inalgarismos. (...) - Imagine cartas do tamanho de uma mão. Um livro é um baralho feito dessas cartas, todas coladas do mesmo lado. (...) - Você acaricia um livro, assim, e sabe como é um avô."

Antes de nascer o mundo, Mia Couto