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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

[Entre Colchetes]

"... um irmão é um tipo estranho de amigo. É como o nome que a gente tem. Passamos muito tempo sem ligar para ele, mas de repente a gente nota que tem um nome e o repetimos antes de dormir um milhão de vezes..."

O verão do Chibo, Vanessa Barbara e Emilio Fraia

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

[Entre colchetes]

"E sua tarefa é (...) impedir a todo custo que alguém, em algum lugar, caia na armadilha, para ele a pior que se possa imaginar, de acreditar que a felicidade é o que se opõe à dor, o que se dá ao luxo de ignorá-la, o que pode viver sem ela."

História do Pranto, Alan Pauls

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

[Entre colchetes]

"Mas o que fomos nos um para o outro: apenas companheiros ocasionais de viagem? com o tempo contado, com tudo previamente estabelecido e com prazo de validade previsto à partida? Foi só isso, diz-me, foi só isso o nosso encontro? Não ficou mais nada lá trás, não deixámos nada de nós dois no deserto que atravessámos?"
No teu deserto, Miguel Sousa Tavares

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

[Entre colchetes]

"Eram estranhos os desvios de memória das pessoas da aldeia: coisas que eles se empenhavam em lembrar às vezes fugiam e se escondiam bem no fundo, sob o manto do esquecimento. E exatamente aquilo que decidiam que era muito importante esquecer, justo isso vinha à tona, e saía de dentro do esquecimento como se fosse, intencionalmente, para incomodar."

De repente, nas profundezas do bosque, Amós Oz

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

[Entre colchetes]

"Era a tiete, um espelho do quarto, eu mesmo, qualquer coisa que me enganava e enganava-se a si mesma em razão de uma boa história que havíamos inventado e que, em última análise, havíamos levado até o final, juntos."

Joana a contragosto, Marcelo Mirisola

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

[Entre colchetes]

"E cada reveillon me deixava ansioso que passassem logo os dias até meu aniversário, que é no mesmo mês. Era um ano começando, era eu ficando mais homem, eram perspectivas se abrindo - era, enfim, uma boa sensação ver um ano esvoaçando para nunca mais voltar e outro se abrindo em promessas, esperanças ou certezas, pois naquele tempo havia certezas, hoje finadas."

O Rei da Noite, João Ubaldo Ribeiro

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

[Entre colchetes]

"Pode chamar de amor eterno. Tem muita gente que chama. (...) Claro que depende do que se entende por eterno. E por amor. Mas de qualquer modo, com ou sem eternidade, o fato é que esse amor pode não ser considerado tão eterno assim, porque, afinal de contas, começa. Quer dizer, não tem vida eterna - porque antes houve um momento em que não existia. E nem sempre nesse início dá para saber que é amor - quanto mais se é para sempre e outras categorias ligadas a essa idéia. Ele pode começar de repente."

Para sempre amor e tempo, Ana Maria Machado


terça-feira, 24 de novembro de 2009

[Entre colchetes]

"-Nuntzi, me diga: como é um avô? (...) - Um avô? - inquiriu Ntunzi. - Sim, me diga como é. - Um avô ou uma avó? Tanto fazia. Na verdade, não era a primeira vez que lhe dirigia a mesma interrogação. E meu irmão nunca respondia. Ficava contando pelos dedos como se a ideia fosse desses progenitores nascesse de delicados cálculos. ele contava, sim, por inalgarismos. (...) - Imagine cartas do tamanho de uma mão. Um livro é um baralho feito dessas cartas, todas coladas do mesmo lado. (...) - Você acaricia um livro, assim, e sabe como é um avô."

Antes de nascer o mundo, Mia Couto

terça-feira, 17 de novembro de 2009

[Entre colchetes]

"Havia uma casa embaixo, junto ao estrondo das ondas estourando contra os alcantis, onde o amor era mais intenso, porque tinha alguma coisa de naufrágio."

O amor nos tempos do cólera, Gabriel Garcia Márquez

terça-feira, 3 de novembro de 2009

[Entre colchetes]

“Dizem os dois ‘amo-te’ ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada um quer dizer uma idéia diferente, uma vida diferente, até, por ventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constitui a actividade da alma.”

O livro do desassossego, Fernando Pessoa